Senac

Departamento Nacional

11/05/2021

Quintas da EPT mostra ação pedagógica e egressos do Senac

Quintas da EPT - egressosOs resultados da Avaliação Nacional do Egresso do Senac e a inserção desses ex-alunos no mercado de trabalho foram o tema da live Quintas da ETPno dia 6 de maio. Como convidadas, Daniela Papelbaum e Inês Pereira – respectivamente, gerente de Desenvolvimento Educacional e gerente de Prospecção e Avaliação Educacional do Departamento Nacional do Senac. 

As Quintas da EPT são um conjunto de seminários técnicos virtuais sobre avaliação da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) que vêm sendo realizados pelo canal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no YouTube. A proposta é debater os estudos que integram o livro “Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica: um campo em construção”, publicado pelo Inep.

Foram apresentadas as linhas gerais e os principais resultados da Avaliação do Egresso do Senac, estudo periódico realizado pelo Departamento Nacional para medir os impactos das ações formativas da Instituição na empregabilidade do aluno egresso, observando sua absorção pelo mercado de trabalho e a receptividade das empresas. 

A pesquisa faz um acompanhamento minucioso dos egressos em sua condição profissional, verificando o tipo de vínculo empregatício, a ocupação, a renda mensal própria e familiar, a relação do curso com o trabalho e de que forma ele contribuiu para a carreira do aluno. A partir dessas informações, o Senac aperfeiçoa a sua ação institucional e suas práticas pedagógicas. 

Desafios 

Inês Pereira fez um perfil do aluno do Senac e tratou dos desafios da concepção dessa avaliação nacional. “O primeiro desafio é o próprio setor produtivo. A gente atua no comércio de bens, serviços e turismo, que um segmento bastante heterogêneo. A escolaridade é baixa, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2020, e existe uma significativa proporção de estudantes sem conhecimentos mínimos em matemática, ciências e leitura. O Brasil figura entre os 20 piores do ranking nessas áreas e está estagnado desde 2009. Além disso, temos o menor percentual de atendimento da população em programas de EPT”, explicou. “Quanto ao perfil dos nossos alunos, encontramos escolaridade predominantemente de ensino médio, principalmente escola pública. A maioria trabalha enquanto faz o curso e tem baixa renda familiar, com também baixa escolaridade de pais e mães”. 

Inês afirmou que o Senac é muito atento aos impactos da tecnologia no setor educacional e no setor produtivo. Por isso decidiu investigar esses impactos em três públicos diferentes: setor produtivo, alunos e egressos. A pesquisa revelou que 43% das empresas precisaram capacitar empregados, 23% tiveram de contratar e 8% substituíram a mão de obra humana por algum tipo de tecnologia. 

Quanto aos alunos e às ferramentas utilizadas no trabalho, 66% afirmaram terem incorporado alguma tecnologia aos seuafazeres, 77% garantiram ter alto nível de adaptação à tecnologia e 68% perceberam que sua ocupação será impactada brevemente pela inovação tecnologia. Desses, 16% acham que sua ocupação deixará de existir em 5 a 20 anos. Para 60% deles, a solução seria buscar capacitação em outras funções. 

E onde entra a educação profissional nessa perspectiva?”, refletiu Inês. Entra para atender demandas, cumprir as expectativas do empresariado e a função social da educação”, afirmou. 

Modelo pedagógico 

Em seguida, Daniela Papelbaum procurou mostrar a evolução pedagógica do Senac, que hoje tem uma base comum em todas as unidades da federação, construída a partir de um intenso diálogo do Departamento Nacional com todos os Departamentos Regionais 

Há uns sete anos, o Senac tinha diferentes concepções pedagógicas pelo Brasil afora, faltava uma unidade no que diz respeito a isso. Então discutimos intensamente com todos os estados ao longo de um ano e construímos o que a gente chama de Modelo Pedagógico Senac. Hoje todos os cursos que formam ocupações estão centrados nesse modelo. Com uma organização tão capilarizada como a nossa, foi uma vitória que nos orgulha, pois qualifica a educação profissional e nos permite produzir uma avaliação que faça sentido, pois unifica o nosso olhar e a forma de entender o fazer profissional”, observou. 

O Modelo Pedagógico do Senac se caracteriza por um currículo de competências, pelas marcas formativas da Instituição (que identificam o perfil do aluno Senac), pelo Projeto Integrador (que deve integrar todas as competências trabalhadas ao longo do curso) e pela avaliação com base em indicadores de competência, que é entendida como um fazer profissional observável, potencialmente criativo, que articula conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, permitindo o desenvolvimento contínuo. 

Nossa metodologia rompe com a divisão tradicional entre teoria e prática. Nós entendemos que a prática não deve ser destituída de um pensamento sobre ela, pois também é geradora de conhecimento. A gente busca desenvolver nosso ciclo pedagógico em torno de ação-reflexão-ação. Partindo da utilização dos conhecimentos prévios dos alunos, as situações de aprendizagem promovem o exercício dos fazeres profissionais e a reflexão sobre esses fazeres ao longo do processo de formação, considerando que o aluno já tem algum tipo de conhecimento prévio sobre o assunto. A ideia é promover uma aprendizagem significativa para o aluno, ao superar o paradigma tradicional centrado na mera transmissão de conteúdos. 

E tudo isso se completa com os Fóruns Setoriais, que funcionam como mecanismos de escuta do mercado. “São espaços onde fazemos interlocução com empresas, sindicatos, trabalhadores e meio acadêmico. Consistem em dias de debates para trocar ideias, conversar, aprender, saber mais sobre a realidade do mercado de trabalho, as demandas de quem emprega e de quem atua. Queremos também ouvir o que o empregador valoriza e como o nosso profissional é visto na ponta. E identificamos tendências e inovações, sistematizamos informações para verificar fazeres comuns e construir itinerários formativos atualizados. Com isso, a gente tem subsídios pra elaborar os planos de curso e criar novos produtos e serviços pra cada segmento”, concluiu. 

Inserção 

Conforme a mais recente avaliação nacional, o indicador de inserção, que mede a absorção dos egressos pelo mercado de trabalho a partir do curso do Senac, 62% dos egressos que iniciaram o curso desocupados conseguiram trabalho durante ou após o curso. Quanto aos benefícios profissionais, 35% informaram ter obtido aumento salarial após o curso, 24% mudaram de área de atuação e outros 18% conseguiram uma promoção em suas empresas. Dentre todos os entrevistados, 90% afirmaram que se sentem mais bem preparados após o curso. 


• Acesse 
aqui a íntegra da Avaliação Nacional do Egresso do Senac. 

• Assista ao seminário Quintas da EPT.

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